Quarta, 27 Fevereiro 2019 05:19

O que será tendência na produção e consumo de cerveja artesanal?

Escrito por
Avalie este item
(0 votos)

Sem querer ser exaustivo nem futurólogo, o que 2019 reserva para a cerveja artesanal? Qual seu palpite? Veja o que diz o colunista do Bom Gourmet
Todo fim de ano passo pela mesma crise: qual assunto abordar aqui. São cerca de 10 anos de coluna e já falei de muito coisa. Natal, Réveillon, presentes, kits, mais presentes, harmonização com a ceia e até como descobrir o gosto para cervejas do presenteado já foram temas. Haja criatividade! Haja cerveja!

Então esse ano decidi pedir licença para o Natal e outros assuntos da virada e trabalhar com o futuro. Sem querer ser exaustivo nem futurólogo, o que 2019 reserva para a cerveja artesanal? Qual seu palpite? Aqui vão os meus para você ficar atento.

1 – Crescimento da oferta
Tão certo como o cinza do céu de Curitiba é dizer que o número de cervejarias vai aumentar ainda mais, assim como as opções de cervejas para todos nós. Segundo levantamento de outubro do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o país chegou a 835 fábricas com maior concentração no Sul (369) e Sudeste (328). Um crescimento 4 novas cervejarias por semana ou 23% em 9 meses – o último, de dezembro de 2017, apontava 679 plantas. Isso tudo não considera as chamadas cervejarias ciganas, marcas que terceirizam a produção em outras cervejarias. O número total de produtos registrados chegou a 16.968, uma média de 20 por instalação.

2 – O império das IPAs
Não há números específicos, principalmente aqui no Brasil, mas o estilo IPA, de alto amargor e muito aroma de lúpulo, cresceu muito em popularidade nos últimos anos. Nos Estados Unidos é o mais popular (28% do mercado de cervejas artesanais), de acordo com dados da Brewers Association (BA), a associação dos cervejeiros artesanais dos EUA, e também um dos que mais tem inovações. O estilo New England IPA, menos amargo e mais aromático, apareceu por aqui nos últimos dois anos e faz muito sucesso. Por lá, com um pouco mais de tempo no mercado, já ocupa 1,2% do mercado de cervejas artesanais. Algo impressionante para um tipo de cerveja tão novo.

A mais recente onda é da chamada Brut IPA – com baixo amargor, intenso aroma e sabor de lúpulo, super leve e refrescante – que já está chegando por aqui e é uma das apostas para o verão. IPA com frutas também deve despontar em breve no Brasil como já está acontecendo em terras norte-americanas.

3 – Leves e refrescantes
Há também um grande espaço para cervejas leves e refrescantes. Apesar das cervejas de trigo alemãs, as Weizenbiers, estarem meio em baixa, os estilos ácidos, chamados de Sour Beers, estão crescendo muito. No Festival Brasileiro da Cerveja, o maior evento de cerveja artesanal do país atualmente, a grande maioria dos 130 estandes de cervejarias tinha opções desse tipo. É também um estilo de cerveja muito criativo, marcado pela acidez, mas que pode ser adicionado de frutas, madeiras, ser mais simples ou complexo, etc. Serão as Sours Beers as novas IPAs?

4 – A cerveja como experiência
Artigos recentes da BA apontam que o consumidor está valorizando cada vez mais as ocasiões de consumo da cerveja artesanal, não só o produto. Nesse sentido, segue uma tendência mundial que também acontece em outros setores de consumo. Harmonizações, visitas em cervejarias, tap rooms, festivais, turismo cervejeiro são áreas que devem crescer cada vez mais e se refletir no aumento do consumo da cerveja “per capita” e do mercado.

E você, já visitou uma cervejaria? Várias delas têm tours guiados e até espaço para eventos, além de uma cerveja bem fresquinha sendo servida e o famoso tour pela fábrica, para você conhecer mais sobre como a bebida é feita.

Ler 168 vezes